




Lote 008 . Leiloeiro Bolsa de Arte . São Paulo, SP . Modalidade presencial com transmissão
A fase Antropofágica de Tarsila do Amaral, deflagrada em janeiro de 1928 com o presente de aniversário a Oswald de Andrade que o casal viria a chamar de Abaporu, redefiniu a relação do modernismo brasileiro com a herança europeia. A Semana de 22 havia sido o gesto de ruptura. A Antropofagia, seis anos depois, foi a teorização de uma síntese.
Este Estudo data desse mesmo ano e dialoga com a paleta verdes-azuis e com a deformação anatômica que caracterizam Abaporu (1928, MALBA, Buenos Aires) e A Negra (1923). O óleo sobre papel, técnica que Tarsila usava em peças de menor porte e em estudos para telas maiores, mantém a frescura matérica e o gesto direto da pintora.
A obra foi identificada e catalogada pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP, instituição responsável pelo catálogo raisonné da artista, sob o registro TA-1928-43. Procedência rastreada desde aquisição em galeria paulistana em 1962, anteriormente pertenceu ao acervo de Oswald de Andrade Filho. Estudos da fase Antropofágica de Tarsila com este nível de documentação raramente vêm a leilão, e quando vêm, costumam ultrapassar a estimativa em 30% a 60%.
| Artista | Tarsila do Amaral (Capivari SP, 1886, São Paulo SP, 1973) |
| Título | Estudo |
| Técnica | Óleo sobre papel |
| Dimensões | 32 x 24 cm (papel), 48 x 40 cm (com moldura) |
| Ano | 1928 |
| Fase | Antropofágica (1928-1930) |
| Assinatura | Tarsila 28, no canto inferior direito, à tinta |
| Catálogo raisonné | IEB-USP, registro TA-1928-43 |
| Procedência | Oswald de Andrade Filho, depois Galeria Augusta (1962), depois coleção particular SP |
| Exposições | Tarsila Modernista, MASP, 1983, catálogo p. 47 |
| Estado | Excelente, papel sem amarelamento, sem retoques |
Catalogação no IEB-USP sob registro TA-1928-43, parecer do comitê de autenticação Tarsila do Amaral. Laudo Richesse complementar com exame não destrutivo (raios-X e luz UV) em laboratório credenciado.
Trajeto documentado desde Oswald de Andrade Filho até coleção particular paulista (1962). Recibo, fotografia de época na coleção original e registros expositivos completam a corrente de propriedade.
7 obras Tarsila da fase Antropofágica em remates brasileiros e internacionais nos últimos 5 anos. Obras sobre papel oscilaram entre R$ 1,1 mi e R$ 2,4 mi. Telas a óleo do mesmo período, faixa muito superior.
A estimativa do leiloeiro de R$ 1,25 mi é tecnicamente conservadora considerando catalogação IEB-USP e procedência Oswald. Movimentos institucionais brasileiros e internacionais sobre Tarsila tendem a comprimir oferta nos próximos 24 meses.
| Data | Lote | Leiloeiro | Valor final |
|---|---|---|---|
| 19 nov 2025 | Sol Poente, óleo s/ tela, 1929 | Bolsa de Arte | R$ 8,4 mi |
| 22 ago 2024 | Estudo s/ papel, fase Pau-Brasil, 1925 | Bolsa de Arte | R$ 1,82 mi |
| 07 mar 2024 | Estudo s/ papel, fase Antropofágica, 1928 | Soraia Cals | R$ 2,15 mi |
| 14 set 2023 | Esboço s/ cartão, 1927 | James Lisboa | R$ 1,28 mi |
| 28 abr 2022 | Estudo s/ papel, fase Antropofágica, 1928 | Bolsa de Arte | R$ 1,46 mi |
A Bolsa de Arte é a casa de leilão de referência para o modernismo brasileiro, com pavilhão dedicado ao período 1922-1960 e curadoria especializada em catálogos raisonné das principais artistas. O lance é registrado diretamente na plataforma do leiloeiro oficial. A Richesse Club atua como camada de curadoria independente.
Acessar página do leiloeiroA obra integra o catálogo raisonné de Tarsila administrado pelo Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB-USP), com número de catálogo e parecer de autenticidade emitido pelo comitê. Adicionalmente, a Richesse anexou laudo de exame técnico não destrutivo (raios-X e luz UV) realizado em laboratório credenciado.
Coleção particular paulista desde 1962, adquirida diretamente em galeria de arte da Rua Augusta, anteriormente pertenceu ao acervo de Oswald de Andrade Filho. Histórico documental disponível para inspeção mediante agendamento na sede do leiloeiro oficial.
O lote inclui parecer do IEB-USP, fotografia de época da obra na coleção original, recibo de aquisição de 1962, e laudo técnico Richesse. Todos os documentos são autenticados em cartório e acompanham a obra após arremate.
Obras de Tarsila do Amaral estão sujeitas à Lei 4.845/1965 e podem ter saída do território nacional restringida pelo IPHAN. O comprador é o responsável pelo trâmite documental, e a Richesse oferece consultoria jurídica para o processo. A peça pode ser exibida e mantida no Brasil sem qualquer restrição.
Para obras acima de R$ 500 mil, a Bolsa de Arte aplica comissão de 7% sobre o valor de arrematação, somada à taxa de curadoria Richesse de 2%. Total de 9% sobre o lance final, conforme edital específico do leilão de mestres modernos.